Contadores que só sabe contabilidade estão deixando a profissão

Da redação em 25/02/2020

Contadores que só sabe contabilidade estão deixando a profissão

Com o avanço da tecnologia e surgimento da big data, evolução 4.0 segundo pesquisas 42% das profissões vão desaparecer daqui a dez anos, e surgir novas que não existem.  Uma área que já está sendo atingida é a profissão de contador, aqueles que só sabem contabilidade não estão conseguindo ficar no mercado, e está indo para outras áreas como corretor de imóveis, seguros, área de TI, Administração e Direito, já os que têm visão de empreendedor coloca seu próprio negócio, mas uma área que não tem nada haver com a área contábil.

O mercado atual exige do contador um perfil eclético de um profissional que sabe e conhece outras áreas, e que domine as novas tecnologias digitais, exige-se que o contador domine duas ou mais linguagens de programação, bem como conhecer as Leis e saber aplicá-las no cenário contábil, no futuro o profissional passa a ser um consultor e gestor de negócios, onde prevê os riscos de uma empresa se vai dar certo no mercado, ou não. Por exemplo, fazer previsão quanto, uma empresa poderá lucrar nos próximos anos.

Segundo o presidente do CFC, Zulmir Breda, “o profissional da contabilidade tem que ser estratégico e analítico, o contador tornou-se um cientista de dados capaz de contribuir, decisivamente, com o crescimento e desenvolvimento das organizações”.

O CFC – Conselho Federal de Contabilidade nos últimos dois anos vem alertando os contadores sobre o novo mercado que tem que se adaptarem, claro, é para aqueles que querem continuar na área. O lema do CFC é sobre o contador gestor focando a contabilidade 4.0, abordando a inteligência artificial, mas até agora, não ficou claro os temas de palestras e debates do CFC e CRCs dos demais Estados.

O que é contabilidade 4.0?

A Contabilidade 4.0 é definida como um novo perfil do contador que irá deparar com o mercado de trabalho, ou seja, é como se fosse uma nova área que surge e que o profissional terá que se adaptar. “é um novo cenário empresarial atual, o mundo mudou e precisamos desconstruir algumas crenças”, disse o presidente do Conselho Regional de Contabilidade Bahia (CRCBA), Antônio Carlos Ribeiro.

A profissão deve deixar as crenças antigas, costumes e hábitos e entrar para uma nova era. A chamada contabilidade 4.0 o contador é obrigado encarar a inteligência artificial e tecnológica, ou seja, terá que adaptar as inovações que vão surgirem. Há décadas em que o profissional da contabilidade é visto como um perfil de minimizar a burocracia, ou de facilitar as coisas, também é visto pelas pessoas como um emissor de impostos para as empresas pagarem. Mas sabemos que este mesmo contador ao se adaptar as novas tecnologias, e mudar o perfil como exige o cenário atual, a sociedade ainda continua vendo este profissional como um fazedor de impostos, ou seja,  ainda continuará achando que a função do contador é declarar imposto de renda.

 Por que a área contábil é ameaçada pela inovação tecnológica e inteligência artificial?

Com o avanço tecnológico a cada dia algumas profissões perdem o sentido e a razão de existir, tudo que envolve máquinas, computador, tecnologia tem seu cenário modificado, e claro, área contábil é uma delas, o contador deixará de importar NF-e XML, deixará de entregar declarações, obrigações acessórias e ficar elaborando relatórios contábeis, tudo passará a ser feito pela Inteligência Artificial. A I.A daqui a dez anos irá fazer uma evolução e para estudiosos a figura do contador não será mais útil dentro de uma empresa, já que um Software programado passa a  executar tais tarefas.

O ritmo das inovações tecnológicas é de cunho mundial, tais avanços tecnológicos vêm ocorrendo a cada dia. Trata-se de um processo irreversível, sinalizador de que entramos em um novo tempo. Esses avanços têm impactado quase todas as áreas da atividade humana.

Conforme o relatório do Fórum Econômico Mundial, The Future of Jobs Report 2018 , publicado em setembro de 2018, quatro avanços tecnológicos devem dominar já nos próximos quatro anos, influenciando positivamente o ambiente de negócios. São eles: internet móvel de alta velocidade; inteligência artificial; big data analytics; e a tecnologia em nuvem. Segundo a maioria das empresas que participaram da pesquisa, a adoção dessas tecnologias se dará de forma acelerada até 2022. A Revolução Industrial, em transição, acorre rapidamente entre a Era Industrial e Digital, como todo período de grandes mudanças. Sabemos já existem carros que se locomovem sem motorista, que já são realidade em alguns países.

Por que os contadores que só sabe contabilidade estão deixando a profissão?

Conforme mencionado no início deste artigo no segundo parágrafo, o contador tem que adaptar novas tecnologias e um novo cenário, o mercado atual exige do contador um perfil eclético de um profissional que saiba outras áreas. Um problema que muitos enfrentam é não dominar outras áreas, milhares de Contadores não procuraram e nem se preocupa em fazer uma segunda graduação, fazer uma pós-graduação, um mestrado etc, a maioria dos atuantes só têm uma única formação, ou a formação técnica ou a graduação de ciências contábeis, porém com a chegada da contabilidade 4.0 e evolução tecnológica digital estes profissionais estão deparando com as dificuldades de permanecer na profissão.

Em redes sociais observei o que muitos dizem: “cansei dessa área contábil tchau”. Outro diz: “estou desmotivado com essa área, vazei”. Outro diz: “também estou deixando a área contábil, boa sorte para quem quer ficar”. Um relato que encontrei na internet de um contabilista que diz: “Estou deixando a área contábil e, indo para área de imobiliária, tenho mais de 55 anos não sou mais criança, sei o que é melhor para mim, a profissão de contador está ameaçada a ser extinta, mas mesmo que não seja, não faz sentido eu ficar numa área e ser visto como um robô invisível. Ninguém é reconhecido na área contábil, os donos de empresas nos enxergam como um fazedor de impostos, um cumpridor de obrigações acessórias. Nos enxergam como uma pessoa que todo mês envia Darf e impostos para pagar, existe cliente que ao me ver antes de cumprimentar, diz:  “não vai me mandar mais imposto, pelo amor Deus”. Como se o contador fosse o ente federativo que arrecada os tributos, essa é a realidade, uma profissão literalmente desvalorizada.

Podemos observar que a desmotivação é um pilar que contribui para os contadores deixarem à área, nos últimos três anos as matrículas na graduação de ciências contábeis caíram 60% e muitas faculdades não conseguem fechar turmas, o candidato vai cursar Administração e recusa Ciências Contábeis. Outro ponto que desmotiva o candidato a cursar contábeis, é que após o término terá que prestar o exame de suficiência. Uma prova que vem sendo questionada, uma vez que estamos na era da evolução digital e, inovações tecnológicas, onde tudo é executado por sistemas e em breve pela Inteligência Artificial, sendo assim, o formando vai deparar com uma prova teórica questões do tipo: qual o valor do ativo circulante? – Qual o valor do passivo circulante? – Qual o valor do patrimônio líquido? – Qual valor do ativo permanente? Sem falar de outras questões inúteis e sem nexo, sobre os CPCs contábil.

Vejamos que o próprio CFC – Conselho Federal de Contabilidade segue duas linhas de política na profissão: uma é a linha do retrocesso aplicando uma prova que não condiz com a realidade. A segunda é usar uma política de motivação tentando passar uma imagem da profissão contábil valorizada e reconhecida pela sociedade, atualmente o CFC  aborda temas ligando a evolução digital e I.A,  e seus  impactos na profissão contábil, ou seja, mostrando que as tecnologias, inovações e a contabilidade 4.0 na era da I.A, (Inteligência Artificial), irá impactar na atuação do contador com mudanças e, que tais mudança o profissional terá que se adaptar.

 Afinal qual o cenário atual da profissão?

A cada dia profissionais da área contábil migra para outras áreas, o argumento são vários: desvalorização profissional, não existir um conselho que luta em prol da classe, não ter o reconhecimento profissional, burocracia encontrada no dia a dia, trabalho repetitivo, onde todo mês tem que fazer as mesmas coisas, cumprimento de várias obrigações acessórias. Os sistemas do governo  não funciona corretamente, exemplo disso é o e-Social. A classe contábil não é unida, uma área invadida por outras áreas, atualmente várias outras áreas fazem serviços de contabilidade. Várias plataformas de Contabilidade online fazendo mercantilização, ou seja, cobrando honorários de 79,90.  Uma profissão em que o contador terá que trabalhar de graça para o Governo por exemplo: informar relatórios, obrigações, cumprir agenda de obrigações mensais. Dentre outras.

Os especialistas explicam que no futuro as startups online ganhará o mercado contábil, com a evolução digital e inteligência artificial, onde por meio de uma plataforma o  empresário de qualquer lugar faz tudo, sem necessitar de contratar um contador, ou um escritório de contabilidade.

Pesquisas apontam uma relação de profissões que podem ser extinta até o ano de 2025, e desaparecer até 2030 uma delas é a profissão de contador. Segundo uma matéria publicada no G1 sobre a revolução digital e as profissões que serão extintas por máquinas com a Inteligência Artificial. Outra matéria da Revista Veja com o título: “Eles vão substituir você” aponta que o curso de Ciências Contábeis no futuro pode ser extinto pelo MEC.

Os avanços da tecnologia empurram o mercado de trabalho para mudanças cada vez mais drásticas e transformadoras. De acordo com uma análise feita pela consultoria Ernst & Young, com base em diversos estudos, como a reportagem da VEJA, e GLOBO até 2025 várias profissões serão substituídas por tecnologia e inteligência artificial.

 Outro problema que o CFC tem que resolver

O problema é, que os Técnicos em Contabilidade atuante que possui Diploma de Bacharel em Ciências Contábeis se recusaram a fazer desde 1º e o 2º exame de Suficiência aplicado em 2018 até o momento. Nas redes sociais e fóruns de debate eles alegam é que o CFC (Conselho Federal de Contabilidade) deveria já ter se manifestado sobre o assunto.

A Resolução CFC nº 1.554/18 prejudica os bacharéis em Ciências Contábeis que concluíram o curso até 14/06/2013, o ato ocorreu em 2010 quando os formandos em Ciências Contábeis estavam com o curso em andamento.

Entenda o caso: O Decreto Lei 9.295/1946, que criou o Conselho Federal de Contabilidade e os Conselhos Regionais, foi revogado pela Lei 12.249/2010 que deu nova redação especificamente ao artigo 12 do Decreto-Lei, dispondo sobre a necessidade do exame de suficiência. Ocorre que quando a Lei entrou em vigor em 2010, o CFC ignorou quem estava com curso em andamento, ou seja, o Conselho Federal de Contabilidade editou uma Resolução, a qual estabeleceu que a aprovação em exame de suficiência (para obtenção do registro) seria exigida do bacharel em Ciências Contábeis e do técnico em Contabilidade que concluíssem o curso em data posterior a 14/06/2010 (data da publicação da Lei n.º 12.249). Portanto, o CFC – Conselho Federal de Contabilidade feriu e fere o direito dos candidatos que estavam cursando o Bacharelado na época, ou seja, aqueles com seu curso em andamento.

Segundo especialistas na área jurídica o curso de Ciências Contábeis são 4 (quatro) anos, e quem estava na metade do curso, ou formando no segundo semestre de 2010, tem seu direito adquirido de se inscrever no CRCs sem a necessidade de prestar o Exame de SuficiênciaPorém, CFC não observou essa questão, sendo assim, ferindo o Direito dessas pessoas, impedindo fazer inscrições nos Conselhos Regionais de Contabilidade.

Por exemplo, uma Lei não pode retroagir para prejudicar o candidato. Se o candidato em 14 de Junho de 2010 estivesse na metade do curso de Ciências Contábeis e tenha concluído em 2012, ou mesmo que já estivesse ingressado no curso, não pode surgir uma Lei para prejudicar. Ademais o livre exercício de profissão é assegurada pela nossa Constituição Federal, vejamos que a Lei 12.249/2010, feriu e fere o Direito dos formandos no período de 2010 até 14/06/2013.

A Resolução CFC nº 1.554/18, em seu artigo 9º parágrafo primeiro deverá ter a seguinte redação: Para alteração de categoria, faz-se necessária a aprovação no Exame de Suficiência, quando a alteração for de Técnico em Contabilidade para Contador, dos bacharéis que concluíram o curso após 14/06/2013. Por que 2013, ora, presume se que o candidato já estava no primeiro ano com seu curso em andamento quando a Lei entrou em vigor em 2010.

Leia matéria na íntegra: Resolução do CFC prejudica os bacharéis em Ciências Contábeis formados até 14/06/2013

 Por fim o contador tem que adaptar novas tecnologias um novo cenário, o mercado atual exige do contador um perfil eclético de um profissional que sabe e conhece outras áreas. Um problema que muitos enfrentam é não dominar outras áreas e para os contadores mais antigos ser gestor e consultor não é mais ser contador. Ou seja, a figura do contador poderá existir, mas desfigurada atuando em outros afazeres.  A figura do contador passa a ser um profissional moderno inteirado com as novas tecnologias, dominar à área de TI, dominar a legislação tributária, ser um profissional eclético saber um pouco de cada área, falar inglês, ter um domínio de Economia já que é um consultor de mercado, um gestor de negócios prever se uma empresa irá lucrar,  prever quanto a empresa irá faturar no próximo ano, fazer análise e simulações através de algoritmos usando tecnologia digital e inteligência artificial.

 Como o CFC está agindo?

O CFC tem utilizado uma estratégica com uma política de mercado, ou seja, passando uma imagem de um contador buscador de saídas, abordando temas em palestras e debates sobre a inovação tecnológica e inteligência artificial com uma visão positiva. Mas ao mesmo tempo negativa, justificando que a I.A está vindo para atrapalhar e pode prejudicar a pessoa humana. Mas os impactos das tecnologias modernas têm cobrado do CFC uma resposta de como ficará a figura do contador uma vez que a profissão está nas pesquisas de ser extinta.

Uma ação recente do Conselho Federal de Contabilidade foi criar uma Comissão Permanente para o acompanhamento das mudanças tecnológicas e de sua influência na profissão contábil, buscando analisar e tratar os impactos da inteligência artificial e vislumbrar horizontes para a profissão. Aprovada pela Portaria CFC n.º 15, de 8 de fevereiro de 2019, a Comissão tem a atribuição de estudar e propor medidas para minimizar os efeitos negativos desse processo de intensas mudanças, ao mesmo tempo que buscará evidenciar e disseminar as melhorias trazidas por esses avanços para o aprimoramento e eficiência dos afazeres do profissional da contabilidade.

Em um artigo publicado em 08 de Fevereiro de 2020, no site do CFC o  Presidente, do mesmo: Zulmir Ivânio Breda encerra dizendo que “De fato, a quarta revolução industrial veio para auxiliar a profissão contábil e, não, destruí-la, e estreitar as relações entre a profissão e a academia será fundamental para atravessar esse caminho de intensas mudanças com êxito. Já com uma visão de futuro, um dos pilares da gestão do Conselho é investir no aprimoramento da educação e na capacitação dos profissionais. Não há outro caminho a não ser entrar nesse ritmo de aperfeiçoamento e inovações, e o profissional que não fizer isso ficará para trás e, provavelmente, terá que mudar de profissão”.

 

Fonte: Conteúdo original  Folha Online

 

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